Quem Somos...

A minha foto
Coimbra, Portugal
Somos um grupo de trabalho constituído por cinco alunos do 9ºD da Escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra. Os João Simões, João Craveiro, João Gago, Daniel Miranda e Telmo Donário pretendem com a criação deste blog, proposto na disciplina Área do Projecto, não só abordar o problema do BULLYING mas perceber as suas causas com a intenção de propor mudanças de comportamentos. Como Edmund Burke afirmava: "Para que o Mal triunfe basta apenas que os bons nada façam."

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Perfil das Vítimas

Segundo os estudos realizados as vítimas são alunos inteligentes e sensíveis,
que têm uma boa relação com os pais. Como não são provenientes de
famílias conflituosas, não sabem reagir quando são provocadas. Estes
jovens- vítima têm uma auto-estima baixa e acreditam nos insultos que lhes
são dirigidos.
São alvos fáceis porque levam a sério as injúrias do agressor.
As vítimas ficam fragilizadas e dificilmente conseguem estabelecer novas
relações de confiança.
As vítimas têm dificuldade em fazer amigos porque sofrem rejeição dos
pares.

Perfil dos Agressores

São geralmente jovens com problemas emocionais ou com problemas de
aprendizagem. Sentem-se impotentes para resolver os problemas do quotidiano.
O agressor está consciente dos seus actos: o objectivo é humilhar o
outro para sentir que tem controlo. São jovens que têm necessidade de
dominar e vencer, são pouco tolerantes à frustração, pouco persistentes,
sem perspectivas de futuro.

Segundo Boulton (1999) o provocador ou agressor é aquele que frequentemente
implica com os outros, ou que lhes bate ou que lhes faz outras coisas
desagradáveis sem uma boa razão. Em relação aos pares, os agressores
têm dificuldades em fazer amigos e têm poucos amigos. No que respeita
à escola, sentem-se infelizes. Envolvem-se mais em comportamentos de
risco para a saúde (tabaco, álcool e drogas).

De acordo com o mesmo autor, os agressores tendem a pertencer a famílias
que são caracterizadas como tendo pouco carinho/ afecto, com problemas
em partilhar os seus sentimentos e normalmente classificam-se como
sentindo que existe uma distância emocional entre os membros da família.

Prevalência do Bullying em Portugal

Num estudo realizado em Portugal por Susana Fonseca De Carvalho, Luísa Lima e
Margarida Gaspar De Matos (2002), o termo “bullying” foi operacionalizado da
seguinte forma: «uma acção de provocação quando um aluno (mais velho ou mais forte)
ou um grupo de alunos, dizem ou fazem coisas desagradáveis a outro ou gozam com ele
de uma forma que ele não gosta nada. Não é uma provocação quando dois alunos da
mesma idade ou tamanho se envolvem numa discussão ou briga. »

Neste estudo português 47.4% dos sujeitos afirmam já ter sido vítimas de bullying e 36.2% já terem provocado colegas mais novos ou mais fracos.

Podemos com este estudo constatar quais as características e quais as principais diferenças
entre os jovens portugueses com diferentes tipos de envolvimento em comportamentos
de Bullying na escola:

Os rapazes estão sempre mais envolvidos do que as raparigas em comportamentos de
bullying. Os mais novos e os que frequentam anos de escolaridade mais baixos estão
significativamente mais envolvidos em comportamentos de vitimização e em
comportamentos de duplo envolvimento (como vítimas e como provocadores).

Conclui-se que em Portugal os jovens que mais frequentemente referem não se envolver
em comportamentos de bullying são as raparigas, os mais velhos e os que frequentam um
nível de escolaridade mais elevado. Este grupo sem envolvimento no bullying ainda se
caracteriza por ser diferente do grupo dos provocadores ou do grupo das vítimas nos indicadores
relativos à violência fora da escola, à relação com os pais, à saúde mental
(sintomas de depressão e queixas físicas e psicológicas), à atitude face à escola, às
expectativas de futuro e ao nível sócio-económico.

Por seu lado, no grupo dos provocadores encontram-se com maior frequência os rapazes
e os mais velhos e no grupo das vítimas os mais novos de idade, os que têm uma menor
escolaridade e também os rapazes. Os indicadores que diferenciam estes dois grupos são
a violência fora da escola, a relação com os pares, os consumo de drogas, tabaco e álcool
e a atitude face à escola.
Ainda em relação a estes dois grupos – provocadores e vítimas, as causas encontradas
para os comportamentos de provocação foram: a violência fora da escola, as queixas
físicas e psicológicas, o consumo de tabaco e álcool, a atitude face à escola, o nível
sócio-económico, o sexo e a idade.

Comunicado Campanha "Stop Bullying"

A AMCV – Associação de Mulheres Contra a Violência – é uma organização não governamental que trabalha há mais de 15 anos na área na defesa dos direitos das mulheres, crianças e jovens.

Actualmente está a lançar a campanha de prevenção e sensibilização “Stop Bullying”, contando com a colaboração de estações de televisão, rádios, jornais e revistas.
Os Direitos das Crianças e das/os Jovens, e a sua protecção, são hoje reconhecidos na lei, contudo continuamos a assistir a atropelos diários de direitos fundamentais. O bullying não é uma realidade nova, mas sim um fenómeno crescente na nossa sociedade, ao qual pais, professores e comunicação social têm vindo a dar maior atenção.

O bullying é uma forma de violência entre pares, que afecta particularmente as crianças e jovens. Ocorre frequentemente na escola, mas muitas vezes ocorre fora do recinto escolar, na rua, nos centros comerciais, nas piscinas, nos campos de férias, etc. Dar-lhe visibilidade contribui para retirar as vítimas do isolamento em que se encontram. A campanha “Stop Bullying” tem como objectivo consciencializar o público em geral para um problema que é vivido por um elevado número de crianças e jovens no nosso país. Visa em particular alertar pais e educadores para a necessidade de estarem atentos e falarem com as crianças e jovens sobre este tema, e as/os jovens para a necessidade de procurarem apoio caso se confrontem com uma situação de bullying.

A Associação de Mulheres Contra a Violência apela:
• aos pais e educadores para terem um papel activo na prevenção do bullying;
• às escolas a elaborarem políticas contra o bullying;
• ao Governo para promover estudos sobre este fenómeno que permitam conhecer a extensão do problema e facilitem a adopção de medidas preventivas.

Alguns Indicadores

Diante de casos ocorridos, à escola compete reunir todos os participantes e as
famílias. Os pais e os alunos têm que obrigatoriamente participar.

Como saber se o seu filho é vitima e Bullying:

*Observe qualquer mudança no comportamento;
*Estimule para que fale sobre o seu dia-a-dia na escola;
*Não culpe a criança pela vitimização sofrida;
*Transforme o seu lar num local de refúgio e segurança;
*Ajude a criança a expressar-se com segurança e confiança;
*Valorize os aspectos positivos da criança e converse sobre suas dificuldades
pessoais e escolares

Se os seus filhos sofrem de Bullying.

O que os pais devem fazer?

Incentivar o filho a falar, ir à escola e buscar uma solução que envolva toda a
comunidade escolar. É lógico que isso só será possível se a escola tiver como lema a
não aceitação do bullying, e bom lembrar que o bullying ocorre em todas as escolas.


Como saber se o seu filho pratica bullying:

*Apresenta distanciamento e falta de adaptação aos objectivos escolares;
*Volta da escola com ar de superioridade, exteriorizando ou tentando impor sua
autoridade sobre alguém;
*Apresenta aspectos e/ou atitudes irritadiças, mostrando-se intolerante frente a
qualquer situação ou aos diferentes aspectos das pessoas;
*Costuma resolver seus problemas, valendo-se da sua força física e/ou
psicológica;
*Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva com os irmãos e pais,
podendo chegar a ponto de ameaçá-los sem levar em conta a idade ou a
diferença de força física;
*Porta objectos ou dinheiro sem justificar sua origem;
*Apresenta habilidades em sair-se de “situações difíceis”.

O que fazer se o seu filho pratica bullying?

*Observe atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pela
criança;
*Mantenha tranquilidade e calma. Converse, objectivando encontrar os motivos
que o levam a agir desta maneira;
*Reflicta sobre o modelo educativo que você está oferecendo ao seu filho.
*Evite bater ou aplicar castigos demasiadamente severos. Isso só poderá
promover raiva e ressentimentos. Procure profissionais que possam auxiliá-lo
a lidar com esse tipo de comportamento.
*Dê segurança e amor.
*Incentive a mudança de atitudes. Um bom começo é pedir desculpas e deixar
a vitima em paz.
*Não ignore o fato ou ache desculpas para as suas atitudes. Lembre-se que
com o tempo esse comportamento pode conduzir a uma vida conflituosa e
infeliz.

Estratégias Sugeridas Para Redução do Bullying nas Escolas

Não existem soluções simples para se combater o bullying. Trata-se de um
problema complexo e de causas múltiplas. Portanto, cada escola deve desenvolver
sua própria estratégia para reduzi-lo. A escola deve agir precocemente contra o
bullying. Quanto mais cedo o bullying cessar, melhor será o resultado para todos os
alunos.

Intervir imediatamente, tão logo seja identificada a existência de bullying na
escola e manter atenção permanente sobre isso é a estratégia ideal. A única maneira
de se combater o bullying é através da cooperação de todos os envolvidos:
professores, funcionários, alunos e pais.
Quais são as etapas a serem cumpridas para se implantar um programa anti-bullying?

Para evitar o Bullying, as escolas devem investir em prevenção e estimular a
discussão aberta com todos os atores da cena escolar, incluindo pais e alunos.

Para os professores, que tem um papel importante na prevenção, alguns conselhos de
especialistas:
• Observe com atenção os alunos, dentro e fora de classe de aula, e perceba
se há quedas bruscas individuais no rendimento escolar;
• Incentive a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças através
de conversas, trabalhos didácticos e até de campanha de incentivo a paz e a
tolerância;
• Desenvolva desde de já dentro de sala de aula um ambiente favorável à
comunicação entre os alunos;
• Quando um estudante reclamar ou denunciar o bullying, procure
imediatamente a direcção da escola;
• Muitas vezes, a instituição trata de forma inadequada os casos relatados. A
responsabilidade é, sim, da escola, mas a solução deve ser em conjunto com
os pais dos alunos envolvidos.

Um pequeno histórico do Bullying

O Bullying é um fenómeno mundial tão antigo quanto à escola. Porém, foi na
década de 1970, na Suécia, que surgiu um maior interesse da sociedade sobre este
problema, logo em seguida estendeu-se para vários países. Foi quando na Noruega,
doze anos mais tarde, em 1982 ocorreu o suicídio de três crianças entre 10 e 14
anos, motivadas pela situação de maus-tratos a que eram submetidos pelos seus
companheiros da escola, Este fato teve grande repercussão nos meias de
comunicação, mobilizando o governo Norueguês que fizera uma campanha nacional
contra o bullying no ano seguinte.

Nos Estados Unidos o tema é de grande interesse, pois o fenómeno cresce,
ao contrario do Brasil, que ainda é pouco comentado e discutido. Estamos a 15 anos
de atraso em relação aos estudos e tratamento deste comportamento, comparados
aos países europeus.